Quem inventou o amor? Eu.

É preciso amar como se não se não fosse preciso retribuição.

Porque se você parar pra pensar, na verdade não há.

Essa noite eu tive um sonho: "A primavera" de monet


– E do que adianta D. Consciência?! Conhecer o amor da minha vida e não poder sair por aí gritando isso aos quatro ventos! É tão injusto!

Dizia Lisa.

– Lisa, vocês nunca estiveram juntos. Ele se entitula comprometido e nunca demonstrou o mesmo por você. É bem verdade que foi dele que inegavelmente partiu a iniciativa e a demonstração de interesse, diria até algum afeto. Mas não há nada de concreto. Realmente NADA.

– D. Consciência, isso não tem a ver com fatos e sim com o sobrenatural que nos cerca. Ele brilha quando me olha. A luz ofuscante vem refletida diretamente dos olhos semi cerrados e do sorriso discreto que se faz sol aos meus olhos. Sorriso maroto, de caninos afiados e lábios finos, tímidos, lisos, visivelmente macios e perfeitamente modelados. O calor que emana dele me atingindo em cheio é cegamente absorvido por mim. Um calor nunca d’antes sentido por esta que vos fala e por isso tão fervorosamente defendido. Sotaque cheio de erres melosamente vibrantes e últimas silabas pouco pronunciadas, a voz timbra feito veludo rouco, soa baixinha e descontraída como um assobio.

Se eu fosse tocada pela menor das retribuições, minhas pálpebras encharcariam e meus olhos se esvairiam em dilúvio. Me roubou  a disposição pra dormir, pra comer. Velar seu sono era mais apaziguador que qualquer livro de amor pro mais carente coração. Embalado previamente em meus pensamentos por canções adivinhas que já prediziam minha súbita paixão. O cheiro inebria, embriaga, arrebata, extasia, me eleva, me droga, me atrai viciosamente como a gravidade faz com seus desafiantes na Terra. Sem desejar nem por um segundo estar em outro lugar que não ali dentro de seu abraço fotográfico. Sua mínima reação a mim entontece, me tirando do eixo. Dá vertigem. Eu perco a voz. O coração pára chocado deixando a vida se esvair de mim, desnorteando minha consciência e volta segundos depois mais acelerado que nunca me trazendo à realidade inacreditável da sua existência.

É um amor desses de filme. Paixão intensa e pura de interesses demais pra receber denominação de nível menor que o próprio amor em si. Unilateral e único como o mais verdadeiro dos amores. A própria retribuição em si se torna desnecessária, visto que o que sinto já existe, independente disso. Sequer sinto vergonha de anunciá-lo, porque não é fraqueza, não é erro. Não me faz sofrer. No máximo se tornará lamentavelmente fugaz, caso meu amor próprio seja ameaçado. Amor cheio de percalços e vieses que espero no fim das contas nos mostrar o quanto fomos feitos pra vencê-los e acabarmos começando o que está claramente destinado a nós…

– Fosse eu acreditar com todas as minhas forças nisso, Lisa. É angustiante ser seu lado angustiado pela incerteza que a certeza da pouca probabilidade produz. Sou só a menor das vozes dentro de todo o seu imperativo, incontrolável, inesperado e imensurável amor. Mas é meu papel não deixar você voar tão alto, presa em balões de cordões tão frágeis. Apesar disso, não posso e não devo cortar seus cordões. Ninguém pode. O amor é seu e quem decide se é hora de senti-lo ou não é você. E enquanto você for feliz eu continuarei sendo só uma voz fraca no fundo da sua mente. Mas lembre-se: sou eu que mais torço pra que eu tenha motivos pra um dia me calar.

– Aprendi que pra ver o sol é preciso fechar os olhos e mirá-lo. Assim não se cega as vistas e se aproveita sua luz. Mas mesmo de olhos abertos eu consigo ver suas feições ensolaradas. Queira Deus, D. Consciência, que eu nunca esqueça sua voz, o sotaque, seu rosto e como suas expressões reagiam a mim. Queira Deus que eu nunca esqueça sua textura, perfume e principalmente… que eu nunca esqueça como a vida é quando ele encontra meu olhar, a ternura que habita em mim, afagando e queimando cada pensamento meu, tão intensamente, naquele momento tão sobrenatural. Queira Deus, que se um dia eu esquecer de tudo, eu lembre de nossa conversa e permita que o amor habite em mim mais uma vez.

“Dizem que a paixão vem com tudo, derrubando o que houver pela frente, tão intenso que não da pra medir e tão rápido que não da pra sentir, restando apenas saudade.”



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~ por maiahloren em 19/02/2010.

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