“Tua flor me deu alguém pra amar”

Em primeiro lugar, há tanta coisa que merece ser dita primeiro, que não sei por onde começar. Talvez pelas minhas impressões… As primeiras. Eu tive sim essa “estranha impressão” estampada no rosto ao ouvir Los Hermanos pela primeira vez, assim como Bruno Medina descreve em seu texto no qual conta como foi parar na banda. É um som estranho, mal definido, com letras confusas. De início você pensa: É o tal do “alternativo”…

E como ele mesmo diz, chego em um ponto em que não posso mais tentar entender a proposta deles e só me resta como opção sentir a música. Nenhuma vez, me vi tão envolvida por tantas músicas de uma banda só. Músicas podem ser boas, bonitas, bem feitas, com letras boas. Mas além de tudo isso, essa música me faz sentir. Sentir uma dor, um amor, um sofrimento, ou alegria que sequer são meus. Eu costumo escrever na ânsia de conseguir transmitir algo do que sinto de modo que outros percebam e eles fazem isso de uma forma indescritível com música. Que bom, que por todo esse tempo eles não tiveram “vergonha de fazer música com muito amor e sinceridade”. Uma vez que a expressão é sua, não se deve priorizar a opinião pública, e sim a própria.

Visitei esporadicamente o blog do Medina com algum preconceito inicial. Desconfio que blogs como o dele devem ter alguma exigência quanto a periodicidade e o autor deve escrever obrigatoriamente “x” artigo(s) em um determinado espaço de tempo. Isso pra mim é uma espécie de ofensa. Escrever não deve ser obrigação. Deve-se fazer isso quando a necessidade vier. Mas confesso minha ignorância, já que nunca procurei me informar sobre como isso funciona e julguei de forma leviana. Além disso, também não achava os textos tão interessantes a ponto de prender minha atenção até o fim. Não que eu me sentisse superior, só não achava ele um escritor de coração. Não, até ler seus contos sobre a banda. Põe coração nisso.

Botei o som pra tocar enquanto o lia e quase que num encontro sobrenatural, me vi lendo sobre as situações descritas e marcadas por determinada música no momento em que elas tocavam no meu fone. Põe coração nisso. Ainda não li tudo o que pretendo sobre eles pra entender a separação… descanso, ou seja lá o que for que eles intitulam como o fim da banda. O fato é que pelo que ouço dos fãs ferrenhos, isso é algo tão misterioso e não compreensível quanto os sentimentos inexplicáveis que nos povoam ao ouví-los. Me limito a não entender e sentir.

Ouvir cada música pela trocentésima vez é como ouvir pela primeira, redescobrindo-as. Sinto algo diferente cada vez que ponho pra repetir… Mesmo que não componham mais como Los Hermanos, o que fizeram até hoje, já passou algum recado. Queria eu conseguir passar meus recados também com tanto louvor. Por mais que continuem produzindo separadamente, nunca serão a mesma coisa de quando juntos, mas talvez já não tenham mais o que dizer juntos. Se tiverem, sei que o farão. Eles se satisfarão por poder expressar isso e os ouvintes por poder sentir.

Ah, inveja… Inveja da habilidade com os instrumentos e da oportunidade que tiveram de aprender a tocá-los. Inveja da oportunidade de ver os rostos expressivos de uma platéia que reage aos seus sons. Ainda não li tudo sobre a história de cada um deles (apesar de ansiar muito por isso nesse momento), mas o fato é que tiveram a chance de aprender a mostrar com os sons tudo o que minha escrita silenciosa é incapaz de transmitir. Sempre ansiei desde criança a capacidade de compor musica. Até hoje me limito a escrita e lamento minha falta de habilidade com poemas. Nesse campo dos meus projetos de vida… estaca zero ainda.

Sinto uma angústia quase insuportável por não poder compor como eles e ao mesmo tempo uma angústia extremamente necessária ao ouví-los. Uma tentativa de sanar um pouco dessa minha falha só ouvindo. Talvez não devesse ter ouvido em primeiro lugar. Mas como já disse em outro texto, prefiro não me privar de nada. Essa deve ser a angústia de quem quer falar num mundo de surdos, ou gesticular num mundo de cegos. Desejosa demais por me comunicar, é difícil aceitar que não consiga isso como eles. Mas a inveja é superada pela admiração.

Nesse momento, numa fraca tentativa de diminuir minha angustia, achei por bem compartilhar: Ai vai um pouco desse som pra que vocês também tenham uma “estranha  impressão” ou (aos que já conhecem) compartilhem dessa viciosa angústia sem dono.

Pensei em muitas das músicas que agora me embalam, mas ouvindo esta em especial, depois de tanto tempo desde que a ouvi pela primeira e também pela última vez, vejo que é ela que merece estar aqui. Foi ela que me despertou pras outras em primeiro lugar.


Além disso, diria pra que você experimentasse ” O velho e o moço”, ” A flor”, ” Pois é”, “Dois barcos” (essas duas tem no mínimo as introduções mais bonitas que já ouvi), ” Condicional”, “Primeiro andar”, “Sentimental”, “Morena” e por aí vai. Eu tenho tendência às musiquinhas mais tristes, mas tem as animadinhas também.

A parte de todos os meu lamentos, destaco o maior deles: o de não ter podido conhecê-los ao vivo num show quando estavam juntos e saber que agora, já não posso mais.

É um teclado maldito com essas notas que ferem. Esporadicamente acompanhado por esses sopros saxofônicos tão ingênuos, mesclados às cordas e bateria que dão ritmo a uma voz meio insana, barbuda que traduz o tão inexplicável amor. Como podem me comover em tão poucos minutos? Montar um sorriso em mim, ou criar uma amor por sei lá o que?

Pra ser sincera, não sei muito bem o que quis dizer até agora, só sei que é intenso demais.

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~ por maiahloren em 02/01/2010.

3 Respostas to ““Tua flor me deu alguém pra amar””

  1. Acredito haver milhares de palavras pra definir Los Hermanos,mas dizem que os palavrões são a forma mais primária de expressão.Sendo primárias,podem ser as mais “puras”,então não vejo outro jeito se não definir os caras como muito FODAS!!!!

    ♪♪Adeus você.
    Não venha mais me negacear.
    Teu choro não me faz desistir, teu riso não me faz reclinar.
    Acalma essa tormenta e te agüenta, que eu vou pro meu lugar. ♪♪

    • Cara.. não é por nada não, mas estava eu ouvindo exatamente essa música quando li seu comentário… =)

  2. Eu não sou FÃ, mas também não desprezo… Digamos que admiro…
    Admiro por que, como você ressaltou, eles transmitem sentimento na música, e isso é inegável…
    Admiro também por não terem mudado seu estilo, esse alternativo, não tão POP, mas que conquistou um público fiel.
    É engraçado que, ao falar de Los Hermanos, vem na minha cabeça Ana Júlia rsrs. Foi uma música que de certa forma marcou um pouco minha vida, e eu particurlamente gosto. Mas eles não tocam mais Ana Júlia (talvez por não ser TÃO alternativa)…aliás, eles não tocam mais 😦
    Uma pena…

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