Sem dignidade.

Talvez seja algo parecido com a sensação que da, ao ver Zorra Total num sábado imprestável. É como um daqueles filmes que a gente só vê quando ta trocando de canal e chega a acompanhar uma parte curta de umas das cenas. O suficiente pra identificar que é um daqueles enredos estranhos, com cenas letárgicas e diálogos sem sentido ou objetivo claro. Algo parecido com a história da “Macabéa” da Clarisse Lispector. A imagem é de baixa qualidade, o som meio abafado.

São jovens oferecidas, velhos tarados, crianças alcoólatras, mães “desvirginadas”, ou retirantes desorientados (como no caso de Macabéa). Mulheres medíocres, mal amadas assumidas, pais separados por motivos sujos e declarados. Filhos inseguros, ou com distúrbios psicopatas. Homens pobres, sem dinheiro ou sem emprego. Pessoas que moram sozinhas sem família ou amigos. Gente com menos princípios que um ladrão. Os personagens, assim como a história num todo são atípicos, muito francos, sempre expondo com muita clareza suas intenções (boas ou ruins).

O mais característico, é a não expressão de sentimentos das personagens. É como se todos fossem imunes ao amor ou ao ódio. Deixando toda carga sentimental (leia-se tristeza e revolta) pra quem vê, ou lê a história. No fim, a personagem principal, vai a uma cartomante que lhe enche o coração de esperanças com a promessa de uma reviravolta na vida, um novo amor e uma vida digna de filme de Hollywood. E quando ela lhe entrega suas últimas economias, sai da cartomante, atravessa a rua distraída, é atropelada por um carro e morre.

E ai, você que resistiu bravamente pra não trocar de canal inúmeras vezes, se pergunta: Qual o objetivo disso tudo? Qual a conclusão? Qual o fim? Porque ela morreu em vez de viver a própria comédia romântica? Bom, talvez seja porque a vida não é um filme de Hollywood e na maior parte do tempo se assemelhe a essa realidade tosca. Um enredo medíocre, sujo, sem glórias ou honras, com uma morte banal.

Ta. Posso ter exagerado. Bom, pelo menos pra mim, ou pra o meu meio social o “prognóstico” não é tão ruim. Mas digamos que a estranheza que tem me povoado nos últimos dias, se aproxima bastante de um filme desses. É como se eu estivesse dentro de uma história dessas. Convivendo com esses personagens (por mais que poucos ao meu redor tenham essas características), ou pior, é como se eu fosse um deles.

"Liberdade eh pouco. O que eu desejo ainda nao tem nome."

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome."

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~ por maiahloren em 04/10/2009.

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