Lenda

e

la devia ter uns sete anos na época. Mas sempre que a professora dizia “recreio!”, ela saía desembestada pela porta da escola em direção ao campo que circundava esta. O vento ressonava enquanto ela brincava de caçar passarinhos. Eles brincavam com ela, voavam nela, davam bicadinhas. Mas ela nunca conseguia pegar um pra prender na gaiolinha que o pai tinha dado. Às vezes algumas crianças se juntavam a ela, mas não tinham a mesma paciência ou persistência. Algumas jogavam pedrinhas nos passarinhos desprevinidos. Mas ela queria uma briga de igual pra igual.

O vento soprou mais rápido naquele momento e os passarinhos imediatamente levantaram vôo em uníssono. O eco das asas batendo mal tinha cessado quando surgiu o som de batidas fofas compassadas na terra. Ela olhou assustada na direção do novo som e imediantamente sentiu uma pontada no peito que mostrou a ela o quão assustada estava. No entanto, o medo paralisou-a, contribuindo pra que satisfizesse sua curiosidade de um modo um tanto quanto perigoso.

Ele surgiu como um fantasma por detrás das árvores próximas sendo repentinamente iluminado pela luz avermelhada do sol que já se punha. Era tão maior que ela e tão negro. Fazia barulhos altos e incompreensíveis como se estivesse muito irritado. A crina balançou em todas as direções enquanto ele empinou parando bruscamente sua cavalgada ao dar de frente pra o obstáculo. Ela. Numa tentiva de se envergar pra trás, ela caiu.

Apoiada ainda nos cotovelos, viu o bicho voltar à posição normal bufando e balançando a cabeça. Passado alguns segundos se levantou e notou que o calor que agora o circundava parecia tê-lo agradado. E ainda desafiando as pontadas de medo tentou tocá-lo.

Ela cresceu, ele também. A cada década que passava, a luz parecia refletir mais forte nele do mesmo modo como refletia nos cabelos dela. Selvagem demais, só ela sabia como domá-lo. Mas só ele conduzia ela. Quando eles cavalgavam em qualquer que fosse a direção pareciam um só.  A crina e o vestido faziam os mesmos desenhos ao sabor do vento.

A porta do estábulo ficava sempre aberta. Era primavera quando o instinto selvagem voltou a despertar e ele se foi. Trotando mais forte do que nunca como se nunca tivesse sido livre. Na manhã seguinte, ela acordou 20 anos mais velha e sentiu novamente um aperto no peito. Notou com pesar que foi só um sonho. E calmamente chegou à conclusão de que ele na verdade… nunca existiu.

cavalo

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~ por maiahloren em 28/03/2009.

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