Por quê os desenhos animados perderam a graça?

Tinha um sorriso maternal no rosto da minha tia quando ela contou sobre a lembrança mais terna que disse ter da minha infância. Era um almoço em família há uns 16 ou 17 anos trás. Ela fez meu prato e algum tempo depois eu voltei com o prato vazio dizendo: “Tia, to com duas fomes, põe mais comida pra mim?” Eu devia ter uns 4 anos. São sorrisos como esse que fazem valer a pena outra dessas reuniões de família com pessoas que não se veem há tempos e não tem muito assunto pra conversar, a não ser sobre as doenças ou quilos que adquiriram com o passar dos anos. Existe uma impaciência na minha geração que faz esses momentos passarem despercebidos, mas eles sempre se fazem presentes.

Não é a primeira vez que me contam desse tipo de peripécia dos meus tempos de criança. Uma prima minha costumava me lembrar da vez em que fui cortar uma fatia de queijo e deixei-a no prato enquanto carregava o resto do queijo comigo. Minha mãe conta da minha primeira refeição extra-leite-materno (ainda na maternidade) com risos incontidos. Na ocasião eu “tomei” a mamadeira da mão dela e tomei tudo quase que de um gole só.

Não é preciso relatar essas histórias pros conhecidos notarem minhas tendências magalísticas. Talvez seja minha falta de cerimônia ao montar pratos de peão, misturar feijão e strogonoff, ou pôr farofa e macarrão no mesmo prato (ou ainda quando jogo azeite em cima disso tudo).

Comer talvez seja uma arte, mas não acho que eu encare dessa forma. Pra mim ela tá mais pra uma necessidade mesmo… bem constante. A não ser na época em que eu misteriosamente furtava os talheres da gaveta da cozinha sem minha mãe ver e enterrava seus cabos no montinho de areia usado na obra daqui de casa. Talvez aquilo fosse alguma expressão juvenil de Arte Moderna. Mas parei por aí.

(aqui entraria uma foto minha com 4 anos de idade, agachada perto de um montinho de areia com vários talheres enfiados e uma cara de quem foi pega em flagrante, mas to sem escanner)


O fato é que hoje acordei com uma bruta azia que me impediu de manifestar “uma fome” sequer… Sintoma recorrente que sugeriu uma leve gastrite ao médico, uns meses atrás. Apesar da insistência da minha tia, minhas múltiplas fomes mandaram lembrança lá da época em que nada me parecia tão estressante e tudo era tão divertido quanto ler os gibis da “Turma da Mônica” (leitura que a minha pizzaria preferida disponibilizava). Tá certo que eu me irritava profundamente com o “Dennis Pimentinha” e com o rato do “Tom e Jerry’ e também nunca fui com a cara do “Piu-piu”, mas quando foi que eu passei a ignorar até “A Dama e o Vagabundo”?

i-magali

Anúncios

~ por maiahloren em 12/03/2009.

Uma resposta to “Por quê os desenhos animados perderam a graça?”

  1. Não é só você que come macarrão com farofa e strofonoff e feijão!
    Eu adorei quando vc contou que disse que tava com “duas” fomes! hahaha Vou passar a dizer assim agora!
    As nossas histórias da infância são sempre tão divertidas…
    E sim, algumas histórias perdem a graça quando a gente cresce. Mas algumas (pelo menos pra mim!) não perdem a graça! (tipo turma da mônica e tom e jerry e pica pau!)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: