Livro louco, livro breve

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Há pouco li um texto no blog do Fábio Hernandez. O texto falava sobre livros dentre outros subassuntos. E dentro desse tema ele ressalta uma sensação que é muito real, mas pouco lógica.

É fato que nos sentimos bem ao lermos um bom livro. Nada como acabar de ler as últimas páginas de uma obra literária tão agradável. Certo? Não! Ao terminar aquele livro que tanto nos encantou a sensação de fim da linha é peculiarmente angustiante. Depois de ler determinadas histórias nós nunca mais somos os mesmos. Saber que não será possível reviver aqueles momentos da mesma forma não tem consolo. Podemos discutir com outros leitores o texto em questão, ou ler outros livros, ouvir outras histórias e deixar o tempo passar.

Talvez isso explique em parte o fato de eu ainda não ter terminado de ler a história que mais me encantou nesses humildes 21 anos e meio. O 6º livro da série de Harry Potter ainda me esconde os segredos das últimas páginas, enquanto o 7º me espera na estante, mesmo depois de tanto tempo de seu lançamento. Posso até esquecer algumas passagens do texto, mas não esqueço a sensação de lê-lo. Dom Casmurro é outro exemplo de uma história que me balançou com seus enigmas (apesar de ter sido um desses livros que fui obrigada a ler na escola). Enfim, há diversos exemplos.

Seria então o fechar das páginas a morte de um livro? Não pra mim. Ele agora estará a serviço de outros leitores e terá outros propósitos (que nem sempre saberemos quais são). Pra mim um livro é imortal. Se faz vivo quando lido e quando é parte da vida de alguém. E mesmo depois das últimas linhas, enquanto ele for presente em alguém, ele viverá.

Assim é conosco. Enquanto aquele que se foi for presente na mente e coração de alguém, ele viverá. O corpo não passa de uma representação, assim como o papel e a tinta que compõem livros. Talvez por isso tentemos despertar os mais variados sentimentos nas mais diversas pessoas e inúmeros registros da nossa existência de variadas formas. Com o intuito de nos perpetuar.

Enquanto ele for lembrado, ele viverá. Mesmo os livros mais curtos e as vidas mais “breves” podem ser imortais.

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~ por maiahloren em 24/12/2008.

2 Respostas to “Livro louco, livro breve”

  1. ”Enquanto ele for lembrado, ele viverá. Mesmo os livros mais curtos e as vidas mais “breves” podem ser imortais.”

    Que assim seja…

    Oh,sensação esquesita,estranha e triste de perda “de um livro q eu nem passei do prefácio”.
    =/

  2. Gostei, filha.
    Se estar na memória,é imortal.
    A memória é o túmulo da imortalidade.

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