O que não ser quando crescer

O índio se balançava na sua rede tranquilamente enquanto comia uma mistura de raízes preparada por sua esposa. Seu filho brincava no rio depois de ter treinado caça com ele. Eis que o europeu chegou com suas propostas. Queria apoio e ajuda da tribo pra construir grandes embarcações.

“Há tanta madeira de boa qualidade!”

O índio pergunta: “Mas… Pra que embarcações?

Ele prossegue: “ Poderíamos desbravar os sete mares, fazendo comércio com todos os povos, trazendo suas especiarias para vendê-las na Europa, onde tenho absoluta certeza de que teremos consumidores aptos a pagar o preço que cobrarmos!”

O índio pergunta calmamente: “Mas…Pra que?”

“Pra que? Teríamos rios de ouro e pedras preciosas!”

Índio pergunta intrigado: “Pra que tanto ouro e pedras?”

“Seríamos ricos! Seríamos reis! Com banquetes a nossa disposição, a melhor educação pros nossos filhos, a esposa mais prendada, teríamos uma vida sem preocupações!”

Índio: “Não, não quero não. Obrigado. Se quem vive assim é rei, esse deve ser o meu nome na sua língua.”

A gente percebe que é adulto quando ganha uma garrafa de rum caribenho de presente de aniversário… Eu que nunca fui tão criança, nem tão adolescente, pulei pra fase “jovem” da vida e do nada me senti de fato… nesse mundo desconhecido… dos adultos. O mundo dos compromissos inadiáveis, das responsabilidades excessivas, do estresse desmedido, do… “ Não vou poder ir ao aniversário por que saio tarde do trabalho…” Em que momento eu deixei essa frase se materializar em mim? Talvez tenha sido no mesmo momento que trocaram meu rótulo de “casa no campo” pra “Tempos Modernos”…

Pela primeira vez, isso tudo me deu náuseas. Em meio ao desgaste da minha saúde física e emocional percebi que minhas ambições se tornaram inconseqüentes, literalmente doentias. Eu que sempre quis ser grande… Notei que a minha grandiosidade é diferente dessa que me exigem. Não quero beber meu rum pra me embriagar nos problemas pífios que me rodeiam e me infernizam como se fossem as coisas mais importantes do mundo. Quero brindar com ele minhas alegrias, minhas pequenas realizações, ou o simples fato… de ter nascido.


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~ por maiahloren em 15/07/2008.

2 Respostas to “O que não ser quando crescer”

  1. Então brindemos ao nascimento,as conkistas e as descobertas!
    Pq se em todo aborrecimento tomassemos um porre…ai,ai…
    A gente tbm percebe que virou adulto,quando mesmo de férias,não pode mais acordar tarde todos os dias,afinal vc pode ate estar d férias,mas nem todos os seus projetos ” de adulto” obedecem aos mesmos prazos!Pense pelo lado bom…ser adulto tbm tem lá suas vantagens é só não deixar ”a JOVEM ” q existe dentro d cada um ficar esquecida.
    Então,viva o rum caribenho(afinal,adultos podem beber!rs)!!!

  2. “Índio: “Não, não quero não. Obrigado. Se quem vive assim é rei, esse deve ser o meu nome na sua língua.”

    Perfeito…eu sempre soube que eu era uma rainha rsrsrs…Acho que ainda não virei adulta, não ganhei uma garrafa de rum! Alguém pode me dar uma garrafa de rum, por favor??! rsrs…

    A melhor frase do texto é: “Notei que a minha grandiosidade é diferente dessa que me exigem”. Poucas pessoas percebem que estão sendo manipuladas a pensar e a almejar o que os outros impõem. Eu já fui uma marionete, mas faz tempo que me libertei disso. Hoje somos poucos tentando convencer muitos de que o que já temos é o bastante e mesmo sendo uma minoria, me orgulho disso!

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