Praticando o Desapego

Era uma vez um reluzente par de olhos azuis da pobre menina rica. Crescida num castelo branco foi acostumada desde cedo às obrigações de adultos. Os estudos, as viagens, as aulas de piano, de etiqueta… As aulas de como ser a filha do Rei e da Rainha. Aulas de como ser filha… Soa estranho. Talvez tanto quanto a distância em vive dos pais, a rotina cheia de compromissos, horários, programações e planos pro futuro… que nem sempre são os seus. Tanto empenho, tanto sacrifício pra ser impecável. É demais pra uma menina.

 

Os olhos rubros agora ardem por dentro. Ela se distancia cada vez mais de quem realmente é a cada grito de revolta, a cada ação inconseqüente, a cada gesto agressivo. A tentativa frustrada de ser vista, compreendida e de se encontrar a faz definhar ainda mais. Ela nota o quanto é impotente e o quanto todos são impotentes. Há objetivos maiores em jogo. Fica claro que a obrigação essencial dela é aprender a ser só a filha do Rei. E ser capaz de ultrapassar qualquer obstáculo intransponível que surja como conseqüência disso.

 

Ela sente falta do café da manhã com seus pais, do mamão com açúcar, dos pés cheios de areia da praia, do abraço de boa noite da mãe, dos conselhos do irmão, das brincadeiras com o sobrinho, da respiração pesada do pai. Sacrifícios, obrigações que ela aprendeu a cumprir. Luxos os quais ela sabe que deve abdicar… Todos os dias.

 

A brasa que acastanha seus olhos ainda expressa resquícios de alguma dor, mas o desapego se torna fundamental na busca por objetivos maiores. O poeta diria que quer “um amor maior”. Já eu… quero um bem maior… um bem maior que eu…  um bem maior que o meu.

 

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~ por maiahloren em 03/06/2008.

2 Respostas to “Praticando o Desapego”

  1. Oh, Linda…
    Esse é meio triste…
    Dessa vez, eu imaginei você por inteira nesse texto.
    No terceiro parágrafo, parece que você desabafou por completo, deixando passar suas saudades de tempos antigos.
    Gosto muito de escrever, como passo a maior parte do tempo sozinho e não tenho tempo pra muita coisa como você, o papel acaba sendo o amigo onde descarrego tudo. Se o que descrevi acima for correto, eu percebi seus sentimentos porque também faço isso.
    Mas como sempre, seus textos são muito bons e prendem a atenção, criam expectativas e sempre têm um final interessante.
    Mais uma vez parabéns!!!
    Esse texto era aquele que discutimos no msn, não é??
    Hehe, adoro ler seus textos, e esse eu me identifiquei por passar privaçãoes que outros jovens não têm…
    Mas vai passar…
    Beijão e escreva mais.


  2. Resumindo: eh difícil praticar o desapego.
    Principalmente nos momentos em q tudo q se ker eh o abraço de boa noite da mãe,as brincadeiras do irmão e o conselho do pai(eu sei q tá invertido,mas vc sabe pq)…

    Ainda bem q ”nesses momentos” temos, pelo menos,bons ombros amigos.
    te adoro!♥

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