Até encontrar alguém

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Ela estava na loja ainda. Esperando… Eu não estava sequer perto de chegar lá. Aliás, sequer pretendia ir até lá. Mas acho que ela sabia que eu iria. Era uma tarde de quarta quando eu entrei. Precisava de uma mochila das grandes, uma que coubesse a bagagem extra que eu havia “adquirido” na viagem. Eram todas muito caras e pequenas…Foi quando ela olhou pra mim de um jeito especial, meio tímida, escondendo seu sorriso nas sombras daquele azul marinho e na simplicidade dos seus poucos bolsos e adereços. Era perfeita.

Começamos devagar. Afinal, faltavam dois dias pro meu retorno ainda. Ficou lá descansando enquanto não chegava a hora. Decidi levá-la comigo no avião pra não pagar excesso de peso. Na hora de me despedir dos que ficavam por lá, foi ela que me consolou… Viemos sozinhas pra casa, na intimidade da noite que viria a ser nossa maior companheira. Apresentei-a à sua nova casa. No entanto, mal tivemos tempo pra maiores introduções. Partimos novamente.

Chegamos em Saquarema próximo da meia-noite quando fomos procurar a casa nova. Lá, passamos a noite e partimos na manhã seguinte. A intenção era chegar a São Pedro da Aldeia em busca da nossa próxima estadia pros três dias seguintes. Não foi muito complicado descobrir o melhor caminho. Nada que os sorrisos tímidos dela se escondendo atrás de mim enquanto eu pedia informações não resolvesse. Ela se entrosou bem com os amigos que encontrei por lá. Mas chegou a hora de ir. Nos arrumamos e sozinhas partimos outra vez.

Voltamos à Saquarema pra fechar nossa viagem com mais alguns dias de passeio por lá. Ela também se entrosou com os novos amigos que fiz e com os que encontrei. Ganhou mil elogios por ser tão disposta a me acompanhar… Voltamos ao Rio com sensação de missão cumprida. Fizemos o que fomos propostas a fazer.

Desde então nos fizemos companhia em todas as outras ocasiões. Passamos alguns dias fora de casa (mais dias fora do que em casa pra ser mais precisa). Sempre nós duas. Às vezes me pergunto se eu conseguiria ir a todos os lugares a que me proponho sem ela. Ela tem sido minha maior companhia nos últimos tempos. Uma alça dela arrebentou, mas ela não ligou. Um fecho já não funciona tão bem, mas prometi consertar.

Entre uma viagem e outra, parece ficar mais evidente que nossa parceria deu muito certo, mas se restringe só a nós duas. Sítio, República, casa de amigos, restaurantes, praia… Até na Roda skol fomos juntas (apesar do moço não deixar ela subir comigo…). Ônibus, carros, avião, ou mesmo a pè… É como se o mundo fosse nosso lar e nós, a nossa única companhia certa. Dizem que quem tem boca vai à Roma. Não sei se ela quer ir tão longe, mas se for de comum acordo eu concordo em falar por ela.

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~ por maiahloren em 20/03/2008.

3 Respostas to “Até encontrar alguém”

  1. amei…

  2. Puxa, e eu fiz parte do começo desta história… (e sinto que passei a mochila, que no jargão militar significa ‘passei o bastão’). Seja feliz nas suas caminhadas, mana do coração!

  3. Poxa! Que legal!!
    Também tenho uma companheira assim, muito louca também, seu nome é Rogéria. Rogéria por ser menina e ao mesmo tempo muito macho pra peitar as aventuras que a faço passar.
    O conteúdo chamo de ‘bagulheira’ porque tudo que carrego é troço.
    Gosto de dar nomes de menina às coisas, minha outra companheira que amo muito é a Claudinha, minha prancha, assim como a Rogéria divide momentos de intimidade comigo. E tenho certeza que os momentos mais singulares são ao lado delas…
    É bom ter companheiras assim.

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