Gente Grande

calvin3.jpg 

É engraçado como criança tem medo do primeiro dia na escola. É como se nunca mais fosse ver os pais. É como se aquela manhã ou tarde fosse ser eterna. É como se todos na escolinha fossem monstros que vão tratá-la mal. É como se todas as outras crianças estivessem olhando e criticando cada movimento seu e cada milímetro de sua aparência. É como se toda a proteção dos pais fosse perdida naquele momento e a criança estivesse vulnerável a tudo de ruim que existe no mundo. É como se os pais não se importassem em deixá-la vulnerável.

Conforme o tempo se passa, surgem diversas outras situações semelhantes: A primeira vez que os pais nos deixam sozinhos em casa; a primeira vez que saímos sozinhos de casa; a primeira vez que andamos sozinhos de ônibus… Em algumas dessas situações a sensação de independência que aprendemos a desejar, nos alivia em parte da sensação de não estar sob proteção. Talvez estes exemplos não estejam tão próximos do primeiro. Contudo, há situações na vida em que realmente nos sentimos novamente desamparados. É quando nem a liberdade nos consola.

Para alguns é mais fácil fazer amizade com os coleguinhas de classe e logo perder o medo da tia. Para alguns é mais fácil perder a vergonha de ir à padaria sozinho e pedir ao moço R$ 0,75 de pão francês e R$ 0,25 de pão doce. Para alguns é mais fácil mudar de escola e se acostumar com a nova turma. Assim como, para alguns será mais difícil se acostumar com a idéia de ter que morar sozinho, casar, ou passar a semana estudando e só voltar pra casa no fim de semana.

No entanto, mesmo que os nossos olhos exponham o medo, mesmo que os pais dessa vez não saibam disfarçar e demonstrem as mesmas angústias, mesmo que as dificuldades pareçam monstros, mesmo que as outras crianças pareçam olhar e criticar cada milímetro da nossa aparência e cada atitude nossa e mesmo que a liberdade dada não nos console… No fim vamos aprender a fazer amigos (irmãs) e um dia nossos pais não vai vão mais precisar nos buscar no colégio. Nesse dia vamos à padaria sozinhos e já não vamos mais caber no colo da mãe. É quando teremos perdido o medo da escola e já teremos aprendido a função dela: Me tornar quem eles sonhavam que eu fosse quando crescesse.

Anúncios

~ por maiahloren em 26/08/2007.

4 Respostas to “Gente Grande”

  1. ai, marrie, q lindo! amanhã vcs começam a saga vida de dona-de-casa e estudante!
    mta responsa!
    mas, vcs vão arrasar, assim como desempenharam mt bem o primeiro dia na escola e tal.. pq erros têm sempre a possibilidade de serem consertados… se errou no sal do arroz, não tem problema: da próxima vez, coloque menos huauhahuaato brincando!
    desejo td de bom pra nova casinha de vcs! e q seja um senhor aprendizado pra a vida adulta! falei até bonito 😛

    bjus!!

  2. Mariaaaaaaaaaaaaaa
    quero saber se vai me convidar pra comer o macarrãooooo
    xD
    com aquele vinhozinho, alguém aí deve saber fazer neh? rs
    4 mulheres jah, ainda mais agora, ateh donas de casa! huhuhuhuhu
    (eu to falhando no meu projeto de me tornar um grande gourmet)
    morar sozinho tah sendo maneiro, – nunca estou sozinho – mas vc tah completamente certa, eu to mais responsável, (ou tentando ser), com certeza vai dar tudo certo pra vcs aí!
    (seu post foi excelente! me identifiquei bastante com ele)
    P.S. Soh pra relembrar do meu macarrão! huaihaiuhauha
    te adoro moça
    bjs

  3. Ai Maria é verdade…nova fase nas nossas vidas!
    espero q a gente dê conta do recado!
    afinal,o q estmaos fazendo além de ser pra nós ,é pra orguulhar nossos pais.eles vão poder d dizer q a gente vai ser “alguém quando crescer”!!rsrs
    E apesar do medo,acredito q tudo vai dar certo!
    O q vc escreveu foi perfeito,então nem teho palavras pra comentar.até pq quando se está “no olho do furacão”a perspectiva é diferente.Fica mais fácil pra kem é de fora falar.
    Então é isso dupla-amiga-irmã nova fase,mas tudo vai dar certo (já to até sendo redundante!rs)
    bjos

  4. Branca da mãe.
    Sabes que estais a me surpreender ? Não esperava este veio ‘ensaísta’ assim, tão cedo. Talvez até mais tarde, herança do pai Zequinho, quem sabe ? Também me surpreendí quando lí poesias do teu irmão, falando de dores e amores. Pareceu-me próximo das bobagens que já escreví, por serem escritas em momentos de crise. Agora, estou a pensaire ( naquele sotaque português que tu detestas que ( eu ) faça…) se tu não terás que fazer Letras futuramente…Bom, era o que teu bisavô Jacinto Ferreira desejava para mim. E o teu arcano fala de tuas inclinações para a arte:encenar, representar, mais dirigir dos bastidores… Ai, ai, que estais a me sair melhor que a encomenda…Espero que etas considerações que faço não te desanimem de escrev(b)eire. Acho que estou influenciada pelo Globo Repórter de hoje, que falou de Portugal, e do Mirandês, que ainda fala esta mistura de português e espanhol que me encantou no Gil Vicente…Branca, com esta lenga-lenga mamãe quer dizer que gostou muito, está béim ? Ah, e esta do dèja-vu foi muito presente na minha adolescência, mas nos sonhos. Sonhava e acontecia tudo no dia seguinte, a ponto de dizer para os próximos o que iria acontecer no momento seguinte. Muito bom que cedas à ‘vontade’ imperiosa de escrever. Parabéns. Mostre para paínho. Mamãe.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: